Bilionários: A Fortuna Global Bate Recorde e Escancara a Desigualdade
Os 10 mais ricos dobraram seu patrimônio em 5 anos, enquanto 60% da humanidade empobreceu, segundo relatório da Oxfam.
Nova Era de Acumulação
O clube dos bilionários nunca foi tão exclusivo — e tão rico. Segundo o relatório ‘A Sobrevivência do Mais Rico’ da Oxfam, divulgado às vésperas do Fórum Econômico Mundial de Davos, a fortuna combinada dos bilionários do planeta alcançou US$ 14,2 trilhões em 2025, um recorde histórico. O documento revela que, nos últimos cinco anos, a riqueza dos dez maiores bilionários dobrou, enquanto 60% da população global — cerca de 4,8 bilhões de pessoas — tornou-se mais pobre.
O Topo do Topo
Elon Musk, Bernard Arnault, Jeff Bezos, Mark Zuckerberg e Larry Ellison encabeçam a lista dos super-ricos, com patrimônios que superam o PIB de países como a Suécia ou a Arábia Saudita. ‘Eles ganham US$ 1 bilhão a cada 12 dias, mesmo em meio a crises climáticas e pandemias’, critica a diretora executiva da Oxfam Internacional, Gabriela Bucher.
Impostos e Evasão
O estudo destaca que os bilionários pagam, em média, apenas 0,5% de imposto sobre sua riqueza, recorrendo a paraísos fiscais e brechas legais. A Oxfam propõe um imposto progressivo de até 5% sobre fortunas acima de US$ 50 milhões, o que geraria US$ 1,7 trilhão por ano. ‘Isso seria suficiente para tirar 2 bilhões de pessoas da pobreza, financiar educação global e combater a fome’, afirma Bucher.
Reações e Controvérsias
Enquanto ativistas pressionam o G20 e líderes mundiais, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, a adotar taxação global sobre grandes fortunas, representantes dos bilionários argumentam que inovação e investimento geram empregos e crescimento. ‘Qualquer aumento de impostos sufocará o empreendedorismo’, alerta o Institute for Policy Innovation, think tank conservador americano.
Brasil no Mapa
O Brasil tem 58 bilionários, segundo a Forbes, com destaque para Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Sicupira, do trio da 3G Capital. Eles concentram US$ 32 bilhões, enquanto 33 milhões de brasileiros vivem abaixo da linha da pobreza. ‘O Brasil é um exemplo gritante da desigualdade que atinge o mundo’, analisa a socióloga Maria da Conceição Tavares, professora emérita da UFRJ.
Crise Climática e Justiça Social
‘Os super-ricos são responsáveis por 10% das emissões globais de carbono, mas são os pobres que sofrem as consequências’, aponta o relatório da Oxfam. A organização conclama governos a reverter essa lógica, com políticas fiscais justas e investimento em energias renováveis.



