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O Silêncio das Páginas: Escritores Brasileiros Enfrentam a Crise da Leitura

Autores denunciam falta de políticas públicas para o livro e o crescente desinteresse dos jovens pela literatura. O futuro da escrita nacional está em risco?

O Silêncio das Páginas: Escritores Brasileiros Enfrentam a Crise da Leitura

Em meio a um cenário de cortes orçamentários e desinteresse crescente, escritores brasileiros se unem para denunciar a crise sem precedentes que assola o mercado literário nacional. Em evento realizado na semana passada, na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, autores consagrados e emergentes expuseram os desafios de produzir e divulgar literatura em tempos de redes sociais e falta de incentivo.

Milton Hatoum, autor de ‘Dois Irmãos’, foi categórico: ‘O Brasil está virando as costas para seus escritores. As livrarias fecham, as editoras enxugam catálogos e o governo ignora a importância do livro na formação crítica do cidadão.’ Segundo dados recentes do Instituto Pró-Livro, o número de leitores no país caiu 10% nos últimos cinco anos, atingindo principalmente jovens entre 18 e 24 anos.

Outro nome de peso, Conceição Evaristo, apontou a falta de diversidade como um dos fatores: ‘A literatura brasileira é rica em vozes, mas o mercado insiste em publicar sempre os mesmos autores. Precisamos de políticas que garantam espaço para escritores negros, indígenas e periféricos.’ A escritora, conhecida por ‘Ponciá Vicêncio’, defendeu a criação de um fundo nacional de fomento à leitura e à escrita.

A crise também atinge as editoras independentes. Luiz Schwarcz, da Companhia das Letras, alertou para o fechamento de dezenas de pequenas editoras nos últimos anos: ‘Sem incentivos fiscais e linhas de crédito, é impossível competir com os gigantes internacionais e combater a pirataria digital.’ Dados da Câmara Brasileira do Livro mostram que o mercado de livros físicos encolheu 15% em 2025.

Para reverter o quadro, os escritores propuseram a criação de um plano nacional de leitura, com metas claras para escolas e bibliotecas públicas. ‘Livro não é luxo, é direito’, enfatizou Itamar Vieira Junior, autor de ‘Torto Arado’. O manifesto, que já conta com mais de 3 mil assinaturas, será entregue ao Ministério da Cultura na próxima semana.

Enquanto isso, nas redes sociais, a hashtag #LeituraÉDireito viralizou, com milhares de leitores e escritores compartilhando suas bibliotecas pessoais e indicando obras nacionais. ‘A esperança está nas bases’, concluiu Eliane Brum, destacando a importância de iniciativas como clubes de leitura e feiras literárias.

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