O Renascimento Literário: Escritores Debatem o Futuro da Narrativa em Tempos Digitais
Encontro internacional reúne autores premiados para discutir inteligência artificial, novos formatos e o papel do livro na era da informação.
O Renascimento Literário: Escritores Debatem o Futuro da Narrativa em Tempos Digitais
No coração de Lisboa, a Cúpula Internacional de Escritores reuniu mais de 200 autores de 40 países para um debate sem precedentes sobre os rumos da literatura. Entre os dias 12 e 14 de agosto, o evento transformou a antiga fábrica de tecidos em um caldeirão de ideias, onde nomes como Margaret Atwood, Haruki Murakami e a jovem autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie compartilharam palco com novas vozes da periferia de São Paulo e de Lagos.
O ponto alto foi a mesa-redonda intitulada “A Inteligência Artificial como Coautora?”, mediada pelo crítico literário João Cândido. Atwood, conhecida por sua distopia O Conto da Aia, provocou: “Se um algoritmo puder escrever um romance que nos faça chorar, então talvez o que chamamos de literatura precise ser redefinido”. Murakami, por sua vez, defendeu a imprevisibilidade humana, afirmando que “a alma não pode ser programada”.
Outro tema quente foi a crise do livro físico diante das plataformas digitais. Dados apresentados pela União Internacional de Editores indicam que 68% dos jovens entre 18 e 30 anos preferem ler em dispositivos móveis. No entanto, a Feira do Livro de Frankfurt registrou um aumento de 12% nas vendas de edições de capa dura no último ano, sugerindo uma tendência de colecionismo e valorização do objeto-livro.
Durante os intervalos, os corredores fervilhavam com encontros espontâneos entre escritores e seus leitores, muitos trazendo exemplares surrados para autógrafos. A escritora brasileira Ana Martins Marques comentou: “A troca presencial é insubstituível. Aqui vejo o brilho nos olhos de quem leu meu poema e sente que ele pertence a ela também”.
A organização do evento, liderada pela Academia das Ciências de Lisboa, aproveitou a ocasião para lançar o Manifesto pela Literatura Inclusiva, documento que propõe políticas públicas para democratizar o acesso à leitura em países lusófonos. A iniciativa foi aplaudida de pé pelos participantes, incluindo o ministro da Cultura de Moçambique e o secretário-geral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
Para o jovem escritor moçambicano Mia Couto, que participou de uma sessão de contos, o futuro é promissor: “Há uma geração inteira usando as redes sociais para contar histórias de maneiras que nunca imaginamos. Nossa missão é ouvir e aprender com eles”.
O encerramento, na noite de sábado, foi marcado por uma leitura coletiva de poemas de diversos idiomas, num espetáculo de luz e som que celebrou a diversidade cultural. A próxima edição está marcada para 2028, na cidade de Buenos Aires, segundo anúncio feito pelos organizadores.



