Luxo e Riqueza

O Império Invisível: Como a Elite Global Reinventa o Luxo na Era da Discrição Suprema

Enquanto ostentação perde espaço, magnatas e celebridades investem em experiências exclusivas e bens raros que não aparecem em redes sociais.

O novo luxo não grita, sussurra

Em um mundo saturado de imagens de jatos particulares e bolsas de grife, a elite global está migrando para uma forma de consumo que valoriza o que não se vê. Trata-se do ‘luxo silencioso’ ou ‘stealth wealth’, uma tendência que privilegia a exclusividade, a autenticidade e a experiência sobre a ostentação vazia. De acordo com o Relatório de Riqueza Global 2026 do banco Credit Suisse, o número de milionários no mundo cresceu 8% no último ano, mas o comportamento de consumo desse grupo mudou drasticamente.

Empresas como a LVMH e a Kering reportam que suas marcas de altíssimo luxo, como Hermès e Brunello Cucinelli, tiveram aumento de vendas mesmo com a crise econômica em alguns países. O motivo? Clientes que buscam peças únicas, muitas vezes feitas sob medida, e que não carregam logotipos evidentes. ‘O verdadeiro luxo hoje é o tempo e a privacidade’, afirma o magnata Bernard Arnault, CEO da LVMH, em entrevista recente.

Além de bens materiais, o investimento em experiências cresce exponencialmente. Viagens para destinos remotos como a Antártida ou Butão, jantares preparados por chefs estrelados em locais secretos e retiros de bem-estar em ilhas privadas são alguns dos desejos dos ultra-ricos. O empresário Jeff Bezos, por exemplo, foi visto recentemente em um iate de 120 metros no Mar Mediterrâneo, mas sem nenhuma foto publicada nas redes sociais. ‘Eles querem viver o momento, não documentá-lo’, explica a socióloga Diana Kendall, autora do livro ‘O Poder do Luxo’.

A mudança também afeta o mercado imobiliário. Mansões em bairros discretos de Londres ou Tóquio estão mais valorizadas do que grandes propriedades em áreas badaladas. A segurança e a privacidade se tornaram o novo status. ‘Não se trata de mostrar que você tem dinheiro, mas de ter acesso ao que poucos podem ter’, resume o consultor de luxo Milan Vukmirovic.

Essa nova forma de consumo não significa que a filantropia perdeu espaço. Pelo contrário, muitos bilionários estão canalizando seus recursos para causas ambientais e sociais, mas de forma discreta. MacKenzie Scott doou US$ 2 bilhões em 2025 sem alarde. ‘O luxo hoje é poder fazer o bem sem precisar de holofotes’, completa a jornalista Chrystia Freeman, especialista em desigualdade.

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