O Clube dos Trilionários: Como a Fortuna Global se Concentra em um Grupo Seleto
Relatório revela que os 10 maiores bilionários do mundo detêm mais riqueza que países inteiros, enquanto desigualdade atinge níveis históricos.
A Era dos Super-Ricos
Um novo relatório da organização não governamental Oxfam, divulgado nesta quarta-feira, aponta que a fortuna combinada dos 10 maiores bilionários do planeta ultrapassou US$ 1,3 trilhão, superando o Produto Interno Bruto (PIB) de nações como Brasil, Canadá e Itália. O documento, intitulado ‘A Desigualdade Mata’, mostra que a concentração de renda no topo da pirâmide social acelerou durante a pandemia de Covid-19, com bilionários aumentando suas riquezas em 63% desde 2020, enquanto 4,7 bilhões de pessoas ficaram mais pobres.
Entre os nomes que lideram a lista estão Elon Musk, Jeff Bezos, Bernard Arnault e Bill Gates, que juntos acumulam mais de US$ 700 bilhões. A fortuna desses quatro homens equivale ao orçamento de educação de todos os países em desenvolvimento juntos. A Oxfam critica a falta de tributação progressiva e defende a criação de um imposto global sobre grandes fortunas, medida que já foi debatida no G20 e no Fórum Econômico Mundial.
O estudo também destaca que, se os 10 maiores bilionários pagassem 2% de sua riqueza em impostos anualmente, seria possível financiar a vacinação de toda a população mundial contra a Covid-19 e ainda sobrariam recursos para programas de combate à fome. Atualmente, a alíquota efetiva de imposto de renda para os super-ricos é de apenas 8%, contra 40% para trabalhadores assalariados em muitos países.
Enquanto isso, o número de pessoas vivendo na extrema pobreza (com menos de US$ 1,90 por dia) aumentou em 160 milhões desde 2020, revertendo décadas de progresso. A ONU estima que a desigualdade seja um dos principais obstáculos para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até 2030.
No Brasil, o cenário não é diferente: os 5 maiores bilionários brasileiros (Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles, Carlos Alberto Sicupira, Eduardo Sirotsky Melzer e Miguel Krigsner) possuem fortuna superior a R$ 200 bilhões, equivalente ao orçamento do Bolsa Família por quatro anos. Especialistas apontam que a reforma tributária em discussão no Congresso pode representar uma oportunidade para taxar grandes fortunas e reduzir a desigualdade.



