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Escritores Brasileiros Invadem Feira de Frankfurt com Narrativas Decoloniais

Obras de autoras e autores indígenas, negros e periféricos ganham protagonismo na maior feira literária do mundo, sinalizando uma virada editorial.

Escritores Brasileiros Invadem Feira de Frankfurt com Narrativas Decoloniais

A 78ª Feira do Livro de Frankfurt, maior evento do mercado editorial global, testemunhou uma invasão literária brasileira este ano. Sob o lema ‘Brasil: outras vozes, outras histórias’, um coletivo de 15 escritores – entre eles Eliane Potiguara, Jeferson Tenório, Cidinha da Silva e Itamar Vieira Junior – apresentou obras que desafiam o cânone eurocêntrico e colocam em foco narrativas decoloniais.

O pavilhão brasileiro, organizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), destacou títulos que abordam racismo, genocídio indígena, desigualdade social e a luta por representatividade. A curadora literária, a professora Lilia Moritz Schwarcz, afirmou que ‘a literatura brasileira nunca foi tão múltipla e urgente’.

Eliane Potiguara, primeira escritora indígena a participar de Frankfurt com uma obra solo, lançou ‘Metade Cara, Metade Máscara’, uma autobiografia poética que denuncia o apagamento étnico. Já Cidinha da Silva trouxe ‘Um Exu em Nova York’, conectando religiões de matriz africana à diáspora contemporânea.

Itamar Vieira Junior, autor de ‘Torto Arado’ (best-seller internacional), mediou debates sobre a estética da resistência no campo. ‘A literatura brasileira está se descolonizando por dentro’, declarou.

O evento gerou negociações para traduções de 27 livros para alemão, inglês e francês. Editores europeus destacaram a originalidade das vozes periféricas. ‘É um novo mercado editorial que se abre’, disse a agente literária Luciana Villas-Boas.

Apesar do sucesso, críticos apontam que o Brasil ainda precisa superar a concentração de verbas para grandes editoras. ‘A diversidade não pode ser apenas um slogan de feira’, alertou o escritor Marcelino Freire, que também integrou a delegação.

A participação brasileira em Frankfurt 2026 consolida uma tendência: a literatura decolonial não é mais nicho, e sim protagonista nas prateleiras globais.

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